Vamos encarar a realidade? Colocar os pingos no is? Se você não está feliz o problema é seu. Única e exclusivamente seu. O problema não é meu. O problema não é dele.
O problema não é do destino. A pior coisa no mundo (e mais covarde também) é distribuir culpas e se tornar vítima do próprio sofrimento. Mas não te culpo.
Nós crescemos assim. Jogamos a responsabilidade de ser feliz na mão dos outros.
Aceite. Aceite sua culpa como sua máxima verdade. Você é culpado pela sua infelicidade. Pela sua felicidade. Pelo que você faz e recebe da vida. Decorou? então tome nota.
O que você plantou, estará na sua mesa. Não é fácil, eu sei. E digo isso porque preciso acordar. Eu não posso dizer que ele me decepcionou.
Eu não tenho o direito de achar que meu coração tem 255 cicatrizes porque o amor é uma faca afiada que corta. Vamos jogar aberto. A culpa é minha.
Eu dei meu coração. Eu criei expectativas. Então, a culpa é minha. Minha feia culpa que é minha e de mais ninguém.
Minha culpa que me fez olhar a vida e me sentir personagem principal de uma página triste. E não é só triste. É uma culpa boa.
Porque também me faz exercitar um sentimento maior (e mais brilhante que o mundo): o perdão. Se eu pudesse escolher um verbo hoje eu escolheria perdoar.
Assim, conjugado na primeira pessoa com objetivo direto e ponto final: eu me perdôo. Não, eu não te perdôo porque não tenho motivo pra te perdoar.
Tenho que perdoar a mim. A mim, que me ferrei. Me fudi. Me iludi. Me refiz. Me encantei. A culpa é minha e das minhas expectativas. Minhas e das minhas lamentáveis escolhas.
Minha e do meu coração lerdo. Minha e da minha imaginação pra lá de maluca. Então, com sua licença, deixe eu e minha culpa em paz.
Eu e meu delicioso perdão por mim mesma.
Eu só te peço uma coisa: pare de culpar a vida. Pare de ter pena de você. Se assuma. Se aceite. Se culpe. Se estrepe. Se mate.
Mas se perdoe. Pelo amor de Deus, se perdoe.
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Fernanda Mello

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